Richard Bach – Running from Safety (Fugindo do Ninho) – 1994
Richard Bach consagrou-se mundialmente como escritor após o lançamento de Jonathan Livingston Seagull (Fernão Capelo Gaivota) em 1970. Agora a BestBolso lançou em sua coleção vira-vira Fernão Capelo Gaivota e Fugindo do Ninho, este último, uma surpresa para mim. Richard Bach conta a história de seu encontro com suas personalidades de vidas passadas. Um anjo o procura para que cumpra a promessa que ele tinha feito a si mesmo quando criança: escrever um livro sobre sua experiência de vida adquirida cincoenta anos depois e fazer com que o livro chegasse a ele quando criança. Começa então uma viagem de descoberta e auto-conhecimento. Extremammente reflexivo e filosófico, Bach poderia ter ambos os títulos rotulados como livros de auto-ajuda, porém a forma do texto remete-se ao romance, aventura. Em Fugindo Do Ninho, Bach descreve-se como um ser racional não dado à crenças religiosas, mas algumas passagens de seu texto chamam atenção justamente pelo contrário: “A luz é uma corrente de prata, como a corrente de uma âncora em minha mente, que sai fora da vista e mergulha em águas turvas.p229″ O conceito foi usado no filme Donnie Brasco e já havia sido citado por Castaneda como o “fio prateado que emerge de nosso abdômen”. “Sei que somos livres para acreditar em qualquer tipo de vida. Sei que fazemos isso pelo prazer e aprender e pelo poder de relembrar quem somos. Como esquecemos? Bem-vindo ao espaço-tempo, deixe a memória no guarda-volumes. Algo acontece, mas não descobri o que apaga nossa memória quando damos o salto”p310. Bach está falando sobre a opção de nascer ou não, mas quando fala em salto, me recorda de imediato a passagem em que, após a partida de Dom Juan e seu grupo de feiticeiros, Castaneda e os outros aprendizes do Nagual precisam saltar (espiritualmente) no abismo e cada um tem uma experiência atemporal e várias vivências que convergem para um presente inusitado, no qual os personagens acordam em lugares inesperados. Mais à frente, Richad Bach escreve: “Precisamos atravessar um muro de tijolos, porque ele nos prende dentro da aparência de vida que escolhemos mudar.[...] Lembre-se de que este mundo não é a realidade. É o playground das aparências[...]“. De uma só tacada Bach retorna ao conceito indiano de que tudo é Maia (ilusão), ao xamanismo de Castaneda, que nos diz que precisamos aprender a ver o mundo real, à Alegoria da Caverna de Platão, um dos príncipios do filme Matrix, e finalmente ao conceito do muro de conceitos que nos aprisiona e fixa nossa compreensão das coisas muito bem criticado em The Wall, do Pink Floyd.
Abraços Progressivos!!!
Tupi


