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Carlos Castaneda – O Caminho Do Guerreiro 4 – Porta Para O Infinito 2

08/06/2013

Carlos Castaneda Porta Para O Infinito

O Sonhador e o objeto dos sonhos

Castaneda começa este capítulo fazendo um inventário de tudo o que já havia aprendido com Dom Juan: parar o diálogo interno,controlar os próprios sonhos,assumir a responsabilidade pelos próprios atos,apagar a história pessoal,ficar sozinho sem causar danos a si mesmo. Mas o assunto principal é a revelação de Dom Juan e Genaro sobre o “duplo”. Castaneda aprende que todos os seres humanos possuem um duplo, “um guerreiro aprende a ter noção disso, mais nada” (p71). Apesar de a maneira de se chegar ao duplo ser através do sonho, ele é real e pode praticar atos, pois o duplo é o próprio ser. Para confundir mais, segundo Genaro, como o duplo é atingido através do “sonhar”, o duplo é um sonho. Para ilustrar o caso, Dom Genaro conta sobre uma ocasião em que adormecera durante o dia, ao ar livre, e ao acordar viu-se deitado na grama como se fosse uma outra pessoa. Um grupo de caminhantes surgiu mas passaram como se ele não estivesse ali, então ele apavorou-se, gritou e despertou no lugar em que havia adormecido, mas em seguida, numa fração de segundos, estava em pé na estrada ao lado. Algum tempo depois, o mesmo aconteceu quando estava em casa. Acordou porque uma goteira fazia barulho e subiu ao telhado. Ao voltar sentiu fome mas não conseguia engolir o alimento, então percebeu que continuava dormindo. Pensou em acordar-se, mas não o fez. Seguiu as instruções que seu próprio corpo ditava e saiu caminhando na chuva. Não sentia nada até que despertou caminhando nos morros, na chuva. Se tudo parasse por aí, já seria algo bem bizarro. Mas o Dom Genaro que conversava com Castaneda e Dom Juan era o duplo. Ele aproximou-se de Castaneda e tocou-o. O que aconteceu em seguida, contado por Castaneda, com detalhes foi que “Eu estava criando um mundo, uma série interminável de sensações e imagens” (p88). Castaneda, como é descrito por Dom Juan desde o primeiro livro – A Erva-Do-Diabo – tem a péssima mania de entregar-se morbidamente a todas as experiências pelas quais passa, e o resultado foi que Dom Genaro e Dom Juan acabaram tendo um trabalhão danado para trazer Castaneda de volta ao Primeiro Círculo do Poder, ou seja, a realidade que aglutinamos. A revelação final deste capítulo é que o poder do duplo é tão inconcebível, que não passamos de um sonho de nossos duplos, assim como eles não passam de um sonho nosso.

Abraços Progressivos!!!

Tupi

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2 Comentários
  1. Rafael Arpelau Link Permanente

    Cada vez que leio os livros de Castaneda , descubro outras maneiras de interpretar o mesmo texto … encaixando coisas aqui e ali , decobri semelhanças enormes com outras religiôes e até com a Bíblia !!

    • Concordo com você, Rafael. Também tenho notado que os textos de Castaneda estão aparecendo cada vez mais em filmes. Obrigado e abração, Tupi :)

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