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Carlos Castaneda e O Caminho do Guerreiro

19/06/2011

Tudo o que existe são as emanações da Águia em forma de energia que não podemos perceber por termos sido condicionados para ver o mundo dentro de certos padrões desde a mais tenra idade. O que aprendemos durante nossa vida faz com que nosso ponto de aglutinação se fixe em nossas costas mais ou menos na altura dos omoplatas entre as fibras de luz do ovo luminoso que cada um de nós possui, como um envólucro que nos acompanha durante toda a vida. Ao morrermos, nossa energia vital vaza por uma fenda no ovo luminoso, perto do centro do abdômen – ocasionada pelo impacto de forças rolantes que nos agridem durante toda a existência –  na forma de um ponto de luz que flutua até o bico da Águia e nossa consciência, nossa totalidade deixa de existir: somos devorados pela Águia e não sobra nada. Nesse caso, não há vida após a morte. Para fugir desse destino cruel os feiticeiros criaram o Caminho do Guerreiro, um conjunto de regras de disciplina que possibilitam ao guerreiro acumular energia suficiente em vida para iludir a Águia e atravessar dessa para outra dimensão em corpo e alma, ou seja, não morrer nem ter a consciência devorada pela Águia. Os seguidores do Caminho do Guerreiro são aprendizes de feiticeiros que serão treinados em grupo onde cada um terá um papel específico, de acordo com a configuração de seu ovo de luz. Um deles será o Nagual que conduzirá o grupo durante a travessia  e através do deserto dourado. Do outro lado desse deserto, Dom Juan nos espera, aos pés de um gigantesco Domo de pedra, com seu grupo de feiticeiros para a continuação da jornada. Antes de partir, o grupo de feiticeiros revisa tudo o que aprendeu e junta cada parte de seus conhecimentos para formar o mapa da travessia. O Nagual deve formar um novo grupo de aprendizes que continuará o caminho e propagará suas regras. Não se trata de uma religião, não se trata de uma filosofia. É o que é: a realidade que está velada em nosso cotidiano e de vez em quando, quando a percebemos, deixamos de lado. Um guerreiro deve ver essa estranha realidade e usar essa habilidade para viver uma vida de discplina acumulando energia para a travessia final. No grupo que parte, o Nagual abre uma fenda entre as dimensões com as próprias mãos, por onde os guerreiros de seu grupo atravessarão para outro mundo e lá as energias necessárias serão usadas para locomoção e para que não sejam esmagados pela enorme pressão que irão sofrer. Os feiticeiros devem ficar de bem com a vida em todos os sentidos antes de abandonarem completamente seu passado para viver no anonimato do desenvolvimento de suas capacidades. Para isso devem seguir à risca o que prescreve seu inventário e reparar os erros cometidos, apagando mágoas e sentimentos negativos que são pesos desnecessários. O feiticeiro sabe caçar e ser caçado, sabe apanhar espíritos em sua armadilha e adquire Aliados – entes reais de outras dimensões que os acompanharão em seu caminho de solidão antes da travessia. Os feiticeiros conhecem o molde da forma humana e sabem de mundos dentro de nosso mundo pelos quais trafegam desaparecendo aqui e reaparecendo em lugares distantes enquanto seus sósias os substituem realizando as tarefas do dia-a-dia para que ninguém perceba sua ausência. Após a travessia de Dom Juan, Castaneda e seus colegas de grupo saltaram num abismo no deserto do Arizona e desapareceram desse mundo sem que nenhum deles atingisse o fundo do penhasco. Castaneda acordou na cama de seu apartamento há muitos quilometros de distância enquanto outros ficaram flutuando entre diversas realidades até se materializarem de novo para a finalização de seus trabalhos e treinamento de um novo grupo antes da partida. O grupo de Dom Juan atravessou a fenda e na forma de várias luzes sobrevoou a montanha em círculos para se despedir e enfim desaparecer na vastidão do Espírito. O feiticeiro que não conseguir realizar a travessia e for tocado pela morte, deve em pensamento viajar para o local escolhido para sua última dança na terra, e lá, assistido pela Morte, realizará seu último ritual. Alguns feiticeiros, os Enganadores da Morte, estão vivos até hoje, desde os tempos dos dos Maias, dos Incas, dos Astecas e dos Toltecas. Eles fornecem ensinamentos e poderes aos aprendizes em troca de energia para continuarem vivos. Os Enganadores da Morte podem manipular a realidade de forma a criar verdadeiros mundos virtuais onde vivem em constante aperfeiçoamento. Castaneda encontrou-se com um deles: o feiticeiro havia mudado de forma e transformara-se numa mulher. Caminhou por uma cidade que era virtual e não percebeu a diferença, tamanho o poder de manipulação do Enganador. Um feiticeiro é capaz de mergulhar um espelho nas águas de um rio e permitir que criaturas assustadoras utilizem o espelho como passagem para vir ao nosso mundo ou simplesmente deixar-se consumir por seu fogo interior e desaparecer por uma passagem invísivel no meio da rua. E nós, caminhamos entre seres de outras realidades, fantasmas e fenomenos energéticos mortais sem nos darmos conta disso.

O que descrevi acima é um breve resumo da obra de Carlos Castaneda que começou em 1968 com a publicação de sua dissertação de mestrado em Antropologia para a UCLA chamada The Teachings of Don Juan – a Yaqui way of knowledge  lançado no Brasil como o livro intitulado “A Erva do Diabo”. Com esse livro Castaneda tornou-se guru do movimento hippie, por seus comentários sobre o o peiote e outras plantas alucinógenas, ganhou prêmios e foi para a capa da Time em 1973.

Segundo o próprio Carlos Castaneda, ele nasceu em Mairiporã em 1935, e trechos de sua vida em São Paulo constam nos livros Viagem à Ixtlan e O Lado Ativo do Infinito, porém, outros registros o dão por nascido em Cajamarca em 1925. De acordo com Don Juan, Castaneda deveria aos poucos ir apagando os rastros de sua existência e abandonando a vida cotidinana para dedicar-se à sua arte, a feitiçaria. Pelo visto ele fez um bom trabalho. Até sua “morte” em 27 de abril de 1998, em Los Angeles, Castaneda levou uma vida discreta e afastada da mídia – por esse motivo há muito pouco sobre ele na Internet além de especulações, mas no Brasil foi publicada uma entrevista oficial com o nome de “Conversando Com Carlos Castaneda”, livro de Carmina Fort, da editora Nova Era, 1991, 124 pgs.

Castaneda nunca autorizou um filme sobre seu trabalho mas sua influência irradiou-se em Matrix e Donnie Darko, por exemplo. Eu vejo seus escritos em quase tudo o que é publicado ou exibido hoje, quando se trata de ficção científica ou magia e terror. Até em trabalhos de auto-ajuda. O melhor é beber na fonte, rsrsrsrsrsr. Quando eu era criança, tinha esse amigo e vizinho,  que vivia rodeado de pilhas de livros e me dizia: “Um dia não esqueça de ler esses livros.”, e eu agradeço o conselho de quase quarenta anos atrás e o passo a você. Abaixo uma relação dos livros de Castaneda extraída da Wikipédia, de onde também peguei informações sobre a vida de Carlos Castaneda. A descrição da obra proveio da leitura de todos os seus livros – depois que a gente começa, não quer mais parar; além de tudo, os relatos do Castaneda de seu aprendizado junto ao Don Juan são muito cômicos!. Hoje está difícil de encontrar qualquer coisa do Castaneda até em sebos, mas tente – os livros dele valem cada centavo gasto. Assinalei com um * ao lado do título dos livros que eu mais gosto.

*A Erva do Diabo – 1968

*Uma Estranha Realidade -1971

*Viagem a Ixtlan – 1972
*Porta Para o Infinito – 1975
*O Segundo Círculo do Poder – 1977
*O Presente da Águia – 1981
O Fogo Interior – 1984
O Poder do Silêncio – 1987
*A Arte do Sonhar – 1993
Readers of Infinity: A Journal of Applied Hermeneutics – 1996
Passes Mágicos – 1998
*O Lado Ativo do Infinito – 1999
Roda do Tempo – 2000

Abraços Progressivos,

Tupi!

Veja também neste blog: https://paintboxtalks.wordpress.com/2011/05/03/viagem-a-ixtlan/

e https://paintboxtalks.wordpress.com/2011/09/01/a-erva-do-diabo-fernao-capelo-gaivota-e-matrix/

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