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Music From The Film More – Final

25/06/2011

É um pouco díficil entender as músicas do álbum More fora de seu contexto, afinal elas foram feitas para cenas específicas do filme e estão diretamente ligadas àquele contexto, mas vou tentar, começando por um comentário sobre o conteúdo da música e outro sobre a estética de cada faixa.

More meditation

Cirrus Minor: Essa canção descreve uma paisagem coberta por neblina na hora mais clara do dia no jardim de uma igreja ao lado de um rio. A direção do vento conduz o olhar da visão do salgueiro à beira do rio à visão da Constelação Cirrus Minor, também a uma cratera no Sol longe do nosso luar, o que significa que o observador ficou estático do meio-dia até o escurecer e talvez haja aqui uma referência ao Micrômegas de Voltaire. A sensação é de um dia amanhecendo com diversos tipos de pássaros cantando, inicialmente apenas acordes longos no teclado seguidos por suaves arpejos de guitarra enquanto a voz ganha profundidade com bastante reverb. A seção de cordas cala-se e permanece o teclado como um órgão de igreja; o andamento é lento e o canto pássaros desaparece aos poucos dando lugar ao som circular de slides na guitarra que voltarão a surgir em Medle. Segue-se o silêncio.

More house2

The Nile Song: Sobre uma dama conhecida perto do Nilo com quem fico algum tempo; ela chora e balança seus cabelos louros com selvageria abre as asas e voa pela ilha fazendo tudo o que quer.

More garden1

Eu a observo de longe e quero sua atenção. Ela chama das profundezas e quer levar minha alma para o sono eterno. Uma música dançante com vocais pesados e guitarras distorcidas. A bateria segue virada após virada acompanhando a marcação de Waters. Há pelo menos 4 guitarras gravadas em overdub. Difícil encontrar uma música do Pink Floyd semelhante em outros discos além de More e Obscured by Clouds. São quase músicas comuns com alguns efeitos.

More moinho1

Crying Song: Sorrimos e gargalhadas ecoam em seus olhos, escalamos tropeçando em pinheiros, choramos e a tristeza passa; rolamos e rolamos, ajude-me a rolar a pedra para longe. Mais uma música de andamenteo bastante lento que começa com um fade in de teclado com um 2/4 bem marcado na caixa abafada, violão suave e duas vozes bem distintas, quase um chorus, que termina com slides bem comprimidos.

More moinho2

Up the khyber: sem letra, uma experimentação jazzística com pouco mais de dois minutos cujo toque de bateria vai ressurgir em Ummagumma.

https://paintboxtalks.wordpress.com/2011/07/28/ummagumma-duplo-ao-vivo-desconcertante/

More moinho5

Green is The Colour: Seu manto azul cobre meus olhos e posso ver a luz do sol atravessando seu vestido. Ela deitou-se nas ondas e vejo sua silhueta a brincar. A luz do sol está em seus olhos mas ela está cega pela bruma do luar a todo momento. É complexa a prisão dos esperançosos e dos malditos. Uma balada country cantada em falsete com acompanhamento de violão e flauta e piano, pelo menos essa parece ser a intenção.

More bed1

Cymbaline: Você anda por caminhos estreitos e íngremes à beira do abismo. Os corvos observam e a sensção é de estar em um tunel com arrepios subindo pela espinha. A corda esticará até o fim? O último copo estará seco? É a grande Hora! Cymbaline, está na Hora! Por favor me acorde… A borboleta sucumbiu e os corvos se aproximam, ninguém pode ajudar, estão todos ocupados. A visão se distorce e o barulho do trem te derruba. O doutor estranho muda de tamanho o tempo todo. Está na Hora!Cymbaline, está na Hora! Sem diferir muito das outras canções deste álbum, Cymbaline destaca-se pelo refrão convidativo e fácil de cantar. Uma fórmula já usada pelo pelo Pink Floyd em  Point Me At The Sky ( ver Pink Floyd Singles ).

https://paintboxtalks.wordpress.com/2011/06/07/pink-floyd-singles-primeira-parte/

More cooking1

Party Sequence: instrumental. Aqui sim algo diferente. Uma música recheada de percussões e ritmos tribais com uma melodia de flauta ou cítara no teclado.

More cooking3

Main Theme: instrumental. É o tema de abertura com o som de pratos reverberando até o limite do que é possível com pouca compressão nos microfones da bateria para captar os toques no canto da caixa – que é tudo a que a bateria vai se submeter – com vários overdubs de guitarra e os famosos slides de Syd Barrett ( sem o Syd Barrett ). O solo principal fica por conta do teclado.

More bed2

Ibiza Bar: Tenho medo de meus erros e cada vez que acordo estou partido em pedaços, como um boneco de papelão rasgado. Espere pelas rimas e pelo roteiro simpático.Envelheço desde a primeira página, vivi cada linha escrita, pegue-me da estante do alto e espere pelas rimas e pelo roteiro simpático. Fui deixado na prateleira e tenho uma triste canção para o final. Pegue sua camera e use-me mais uma vez, mas espere enquanto as letras rimam e o roteiro fica simpático. Muito semelhante a The Nile Song. A diferença fica por conta dos vocais; assim como todas as outras músicas exceto Cirrus Minor, termina com fade out de tudo.

More bed3

More Blues: instrumental. Uma improvisação de blues de baixo guitarra e bateria sem altos nem baixos. Tudo igual do começo ao fim. Gilmour está usando delay e reverb com pouca compressão pois pode-se ouvir seus dedos deslizando pelas cordas da guitarra e ouve-se até alguns vacilos dele. Não sei o que essa música está fazendo no álbum. Parece coisa de principiante feita às pressas para ocupar espaço.

Quicksilver: instrumental. Dois minutos de fita acelerando e desacelerando com uns sons que não dá pra entender de onde estão vindo seguidos de 5 minutos de Ravel fazendo cover de Stravinski. Não serviu nem pro Ummagumma. Essa praia é do Tangerine Dream e ponto.

A Spanish Piece:Passe a tequila Manuela. Não ria gringo ou eu o mato.Essa música espanhola faz a minha alma pegar fogo. Adorável senhorita, seus olhos são estrelas, seus dentes são pérolas e seus lábios da cor do rubi. Até Beatles cantando Besame Mucho ficou melhor. E pensar que Waters ainda fez algumas coisa semelhantes em Music From The Body um ano depois.

Dramatic Theme: instrumental. É só a música Main Theme tocada mais lenta e com menos instrumentos. Deu certo na Europa. Que falta faz um Syd Barrett.

Quicksilver e A Spanish Piece ficaram muito aquém do que o Pink Floyd era capaz, mas a trilha sonora conseguiu fazer do filme um sucesso, e considerando que o trabalho da banda não era comercial, o resultado final ficou muito bom. Acredito que tudo o que o Pink Floyd conseguiu assimilar nesse trabalho de oito dias de estúdio foi aprimorado no álbum Obscured By Clouds, que ficou muito melhor. Parece outra banda.

A seguir na discografia: Ummagumma.

Este post inicia em:

https://paintboxtalks.wordpress.com/2011/06/22/music-from-the-film-more-part-1/

e continua em:

https://paintboxtalks.wordpress.com/2011/06/25/music-from-the-film-more-part-2/

Veja também:  https://paintboxtalks.wordpress.com/2011/07/07/anthony-sterns-san-francisco-1968/

Abraços Progressivos

Tupi

More - Pink Floyd

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From → Movie, Pink Floyd

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