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Antonioni’s Zabriskie Point Com Pink Floyd Na Trilha Sonora

19/08/2011

Sit Down.

Em 1970 Michelangelo Antonioni dirigiu e lançou o filme Zabriskie Point, um cult movie com trilha sonora do Pink Floyd, Greatful Dead, Jerry Garcia, Youngbloods, The Kaleidoscope e John Fahey ,entre outros.

Zabriskie Point 2 (2)

No elenco, nomes como Harrison Ford ( que não aparece nos créditos, [observe os estudantes no posto de polícia] ), Mark Frechette, Daria Halprin e Rod Taylor. Filmado nos EUA, o nome do filme vem do monumento natural Zabriskie Point, situado no Vale da Morte, Califórnia. O filme de Michelangelo enfoca o movimento de contracultura nos EUA no final dos anos 60 e início dos anos 70, com ênfase no pensamento antiguerra.

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Realizado pela MGM, o filme representaria a ascensão de Antonioni na América com sua crítica político-social e demonstrações de desobediência civil numa sociedade caótica e conservadora, os EUA.

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O filme custou 7 milhões de dólares e rendeu apenas 900 mil, um pesadelo para Antonioni, aos 58, e os três presidentes da MGM que rodaram durante esse período. Criticado por não apresentar nada de novo e ser um clichezão, Zabriskie Point deixou uma marca na reputação de Michelangelo, que já era um cineasta bem sucedido após Blow Up. O movimento revolucionário estudantil idealizado no filme tem um clima profético. Algumas cenas tornaram-se realidade. Principalmente para o elenco.

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Os personagens são estudantes de um campus Universitário e militantes radicais que queriam combater o stablishment. No centro da história estão Frechette e Daria Halprin, um casal, que como em More, protagoniza a visão hippie da época. A grande diferença entre More e Zabriskie é a postura dos personagens que partem para a luta armada em grupos organizados causando a morte de um policial. As músicas compostas pelo Pink Floyd para o filme foram “Heart Beat, Pig Meat” na abertura do filme, na apresentação dos créditos, “Come in number 51, Your time is Up” remake de “Careful with that Axe Eugene” e “Crumbling Land”.

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Antonioni nasceu em 29 de setembro de 1912 em Ferrara, Itália e estudou Economia Política na Universidade de Bolonha. A primeira escolha de Antonioni para a trilha foi o Pink Floyd – “apesar de ser uma banda apolítica, porém com uma boa experiência cinematográfica”, o que chamou a atenção foi o documentário “Tonite lets All make love in London”, “More” e “The Comittee” – mas o Procol Harum também foi sondado.

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Apesar do esforço do Floyd para agradar  Antonioni, muito pouco do material composto pela banda para o filme foi aproveitado ( na internet há textos que falam de uma experiência de um mês de tentativas do Floyd para agradar Antonioni, mas prefiro a versão de Barry que é mais congruente: o Pink Floyd foi contratado por um período de duas semanas com intervalos para shows já agendados, de cada cinco ou seis versões de cada música, Antonioni escolhia uma, a mais perfeita;

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ao final acabou chamando outras bandas ao perceber que a música do Pink estava tomando conta do filme e ficou com apenas três músicas. “Unknown Song” ficou de fora; tem a “Love Scene” para a sequencia de sexo no deserto.

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Antonioni julgou mal o trabalho do Pink Floyd e não incluiu a música “Riot Scene” na trilha – um solo de piano de Rick Wright, e esta música veio a ser “Us and Them” no Dark Side Of The Moon. Depois do desastre de Zabriskie Point, Michelangelo levou 5 anos para se recuperar, quando fez The Passenger.

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No início de Zabriskie um grupo estudantil bastante heterogeneo discute e organiza um protesto no campus universitário que culmina em confronto, cenas de violência e agressões por parte da polícia. Estudantes aparecem sangrando e a mobilização atinge civis. O formato do filme parece um documentário ideologicamente agressivo recortado por cenas impecáveis na fotografia e na textura de escritórios chiques onde se vendem condomínios no oeste americano com belas estradas cruzando o deserto.

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Os carros da polícia são Playmouths. É feito um cerco na Universidade. Gás lacrimogênio obriga o grupo de estudantes negros a se entregarem, mas a polícia suspeita que um deles está armado e atira, matando o estudante. Frechette que está escondido atrás do prédio atira e mata um  policial. Ele foge, e na cena seguinte está em um ônibus; desembarca na frente de um outdoor do Bank of America e outro da 7Up, entra numa loja de conveniências e aparecem os pêssegos enlatados Iris.Ele vai para o aeroporto e no fundo aparece um enorme balcão com PIPER escrito no letreiro em letras gigantescas. Rouba um pequeno monomotor chamado Lilly7 e parte. A gatona Daria está cruzando o deserto de carro e Frechette de avião.Ele dá uns rasantes sobre o carro dela , pousa e eles se conhecem. Não é lindo?

Zabriskie Point 19 A viagem continua à dois por terra e é aqui que acontece a cena da sexo no deserto e também é aqui que o expectador começa a rever More. Antonioni vem com fantasias malucas surreais e mostra mais pessoas numa orgia no deserto: uma cena de amor livre que lembra Woodstock ou o filme do Peter Fonda cruzando a América de moto – On The Road, do Kerouak – ou todos aqueles lugares comuns do Bukowski. Mas há só duas pessoas.

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Do nada surge um monte de gente transando no deserto sugerindo a alucinação dos personagens.

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Aparece um casal conservador passeando de trailler, a polícia para averiguar, e os dois pintam psicodelicamente o monomotor ao som lânguido de uma balada country. Também vi isso em alguns clipes do David Byrne e do Zappa, mas para a época devia ser o máximo! Ousadia, mas como disse antes, não era novidade. A cena mostra do alto vários casais transando nas areias e lembra umas figuras de edições da Divina Comédia ou o pagão “The Devil in Miss Jones”. Eles se separam e a viagem continua por ar e terra; parece o desenho da Penélope Charmosa que desmanchou com o Dick Vigarista. Mas o dono do avião dá queixa de roubo e Daria ouve a notícia pelo rádio do carro. Ela acha engraçado e ri enquanto dirige.

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Ao pousar Frechette está sendo aguardado pela polícia. Ele aterrisa e é recebido à bala. Morre dentro da cabine enquanto o avião roda em círculos pela písta .

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Daria chega a seu destino e encontra seu pai discutindo com outros executivos em uma enorme mansão sobre a construção de um condomínio de luxo no meio do deserto e vem a cena final: na mente de Daria a Mansão e todos os que estão dentro dela explodem numa visão de fogo, fumaça, e pedaços da casa voando em camara lenta em nossa direção ao som de “Careful with that Axe Eugene”, uma cena rica em cores, estilhaços voando como em 2001num momento que vale por todo o filme.

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É o ápice de tudo: a afirmação interior de todos os personagens do pensamento da época de NÃO NAO NÃO ao Sistema!

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Uma TV explode no meio do deserto enquanto passa o noticiário. NINGUÉM ESTÁ ASSISTINDO. É a Tv do Pink em The Wall? E os destroços? Parecem as naves espaciais de 2001.

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Infelizmente, a técnica impecável de Antonioni está além de toda a existência. Ele nunca será entendido. Pelo menos por nós, pois trouxe Peter Gabriel na trilha da “Última Tentação de Cristo” e houveram protestos nas portas dos cinemas; revelou a verdadeira intenção do Pink Floyd antes de os próprios membros da banda saberem exatamente o que queriam: anunciar que é a alienação que nos torna politicamente corretos.

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Michelangelo Antonioni, o único cineasta que roubou a cena do Pink Floyd.

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Fontes: Wikipédia, minha própria vivência e algumas observações de Barry Miles em Pink Floyd Primórdios. Também Valdir Montanari “Rock Progressivo” que me trouxe à tona para a realidade.

Mais em: https://paintboxtalks.wordpress.com/2013/08/22/zabriskie-point-com-pink-floyd-na-trilha-observacoes/

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Abraços Progressivos
 Tupi

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