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Pink Floyd Meddle II: Echoes

07/11/2011

Echoes, que tinha tudo para se transformar no Frankenstein do Pink Floyd, tornou-se um marco na carreira da banda: mais de 23 minutos de improvisação marcantemente Underground, ao mesmo tempo um refinado trabalho de pentatônicas polvilhadas com cromatismos fantasmagóricos; não é à toa que Echoes nos leva para conhecer as lavas das ruínas de Pompéia. A música foi montada de uma maneira diferente, cada músico entrou no estúdio sem referência e gravou o que veio na hora, depois tudo foi juntado aos poucos; alguns sons, como aquele que lembra o submarino de Viagem Ao Fundo Do Mar, vieram dos takes originais, pois simplesmente não puderam mais ser repetidos.
Aos dois minutos Nick define a música com sua bateria super pesada que será acompanhada pelo teclado até que Gilmour nos conte a história de Echoes aos três minutos de concerto. Não há orquestra, mas a a sensação é de que Mozart está regendo um Réquiem para a primeira fase de sua história musical. A música cresce quase infinitamente entre os pedaços deixados pela canção, e sons de guitarra em forma de guinchos pré-históricos ou relinchos de cavalos permitem ver a enorme distância que se abriu entre os efeitos psicodélicos “zippo” da guitarra de Barrett e o Rock Progressivo de Gilmour. Provavelmente  este é o primeiro trabalho do Pink Floyd traduzido para dezesseis canais.
Os efeitos da cinemática se alinham com harmonias quase perfeitas e o Pink Floyd escapa do lugar-comum das bandas progressivas européias para olhar o cenário musical da época do topo do Everest.
Enquanto o baixo distorcido de Waters e os acordes entorpecidos por delays de Gilmour nos levam às alturas, Mason nos faz aterrissar repentinamente. As harmonias de Richard Wright funcionam como pára-quedas de emergência e o pouso, agora suavizado, faz pensar em ventos que não existem em Marte, e em sombras que não existem na Lua. Vozes fantasmagóricas concluem a peça musical enquanto Gilmour manda um sinal das profundezas, palhetando as cordas em suas extremidades fora da escala. Quando o som acaba, o silêncio fica incômodo.

Abaixo rola uma tradução livre da canção, feita para que se possa captar o sentido poético e crítico da letra, Echoes:

 Ecos

Nas alturas os albatrozes parecem imóveis no ar
E bem abaixo das ondas, nos labirintos das cavernas de corais,
O eco de uma maré distante vem se espalhando pela areia,
E tudo é verde e submarino

E ninguém nos apresentou à terra
Nem ninguém sabe os ondes ou os porquês,
Mas algo encara e algo tenta
E começa a subir em direção à luz.

Estranhos passando pela rua
Dois olhares separados que acidentalmente se encontram
E eu sou você e vejo a mim mesmo
E devo pegar você pela mão
E guiá-lo através da terra
E ajude-me a compreender o melhor que eu puder
E ninguém nos chama para seguir em frente
E ninguém nos obriga a fechar os olhos
Ninguém fala
Ninguém tenta
E ninguém voa ao redor do Sol.

Todos os dias vejo você despencar dum céu de brigadeiro perante minha visão que desperta
Convidando e me incitando a escalar
E através da janela na parede jorram raios de sol
Um milhão de embaixadores brilhantes do amanhecer
E ninguém me canta canções de ninar
E ninguém me faz fechar os olhos
Então escancaro as cortinas
E ligo para você através do céu

                               Abraços Progressivos

                                             Tupi

Este post inicia em:  https://paintboxtalks.wordpress.com/2011/11/02/pink-floyd-meddle-i-1971-ecos-de-uma-geracao/ e continua em : https://paintboxtalks.wordpress.com/2011/11/08/pink-floyd-meddle-iii-a-pillow-of-winds-fearless-san-tropez-e-seamus/

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