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Música de Roger Waters Lança Luz Sobre O Enigma Do Pink Floyd – por TBBorges

27/02/2013

Pink-Floyd The Wall

“Incarceration Of A Flower Child” foi composta por Roger Waters em 1968, porém nunca foi gravada pelo Pink Floyd. A música veio à tona no álbum Vagabond Ways, de Marianne Faithfull, em 1999, com o próprio Roger Waters no baixo. Marianne participou das apresentações ao vivo de The Wall Live, de Roger Waters, após sua saída do Pink Floyd. Ouvindo a música na voz de Marianne dá para entender porque não foi lançada em 1968: estava anos-luz à frente do que o Pink Floyd fazia na época. Poderia perfeitamente ter sido lançada no álbum The Wall ou no The Final Cut. A canção parece ter sido composta do ponto de vista de uma possível namorada de Syd Barrett, mas não há nenhuma confirmação de que a letra seja sobre a fatídica saída do ex-líder e fundador da banda – que teve a carreira comprometida pela esquizofrenia acentuada pelo uso de drogas. Algo chama a atenção, logo de cara, em Incarceration Of A Flower Child: os primeiros versos são o refrão da música “Your Possible Pasts” do álbum The Final Cut, de 1983, último álbum do Pink Floyd com Waters. Coincidentemente, Incarceration é a segunda faixa em Vagabond Ways e Your Possible Pasts é a segunda faixa em The Final Cut. No clip de Incarceration – disponível no Youtube –  um cigarro aceso no cinzeiro, ao lado de um Zippo,  sobre a mesa, com duas cadeiras vazias, pode ser, ao mesmo tempo, uma referência ao vazio demonstrado na capa de Wish You Were Here, e Pink assistindo TV em seu quarto (de hospital) com um cigarro completamente queimado entre os dedos – The Wall.  O piano toca sozinho e há também um copo de vinho pela metade na mesa e a cantora senta-se interpretando a canção, olhando direto para a cãmera. ela está fumando e apanha o isqueiro Zippo. Canta como se estivesse falando com o isqueiro – Barrett costumava usar um isqueiro desses para gravar seus slides – e aparece ao fundo um homem sentado no chão, ora encostado na parede, ora olhando para ela, veste uma camisa branca que lembra uma camisa-de-força (tal qual Pink, em The Wall). Imagens de Marianne com Mick Jagger aparecem e o foco do clip volta-se para o antigo relacionamento, dando a entender que a música é sobre eles. Mas então surge uma PAREDE!!!!!(The Wall?) com fotos em preto e branco penduradas, e a última foto – que aparece muito rapidamente e quase indefinida – que pode ser uma foto de Syd!!! Um close da mão, quando leva o cigarro aos lábios, permite ver de ralance um anel que desaparece, enquanto o clip caminha para seu desfecho com a banda entrando  num automóvel e deixando alguém para trás na rua.

De tirar o fôlego, não? Traduzi as duas letras para que todos possam tirar suas próprias conclusões. Apreciem a tradução inédita de Incareration Of a Flower Child e comparem com Your Possible Pasts:

Encarceramento De Uma Criança Flor* – Roger Waters – 1968

(Criança Flor*: jovem participante do movimento  Power Flower do final da década de 60 que culminou com Woodstock, que tinha a flor como símbolo de poder da paz, o momento mais sublime da contracultura, mais conhecido por nós como movimento hippie – minha nota)

Você se lembra de mim? De como eramos impotentes e felizes e cegos? Mergulhados sem esperança num nevoeiro de narcóticos e vinho barato? Deitados no chão da sala sobre aquelas almofadas e tapeçarias indianas que você fez Pensando em chamar nossos primeiros bebês de Jasmine or Jade.   Não faça isso, não faça isso, não faça isso comigo, Não pense sobre isso, não pense sobre isso, não pense sobre isso, não pense sobre como poderia ter sido, Não abra a porta do alto, apenas fique comigo aqui no chão, Vai ficar frio nos anos 70.   Você não ouviria, achava que sabia mais de tudo, era só falar com aquele homem. Por favor, acredite, irei visitá-lo quando puder. Deitado em seu minúsculo quarto branco sem janelas, com três travessas de sedativos por dia, você suplica ao médico que comanda o show: “Não tire Jasmine de mim, não me deixe só.”

Não faça isso, não faça isso, não faça isso comigo, Não pense sobre isso, não pense sobre isso, não pense sobre isso, não pense sobre como poderia ter sido, Não abra a porta do alto, apenas fique comigo aqui no chão, Vai ficar frio nos anos 70.

Você se lembra de mim? De como eramos impotentes e felizes e cegos? Mergulhados sem esperança num nevoeiro de narcóticos e vinho barato? Deitado em seu minúsculo quarto branco sem janelas, com três travessas de sedativos por dia, você suplica ao médico que comanda o show: “Não tire Jasmine de mim, não me deixe só.”

Seus Possíveis Passados (Final Cut , segunda faixa 1983)

Eles flutuam atrás de você, seus possíveis passados Alguns com olhar enlouquecido e brilhante, outros amedrontados e perdidos

Um aviso para quem ainda esteja no comando   (“Tomar posição! Fogo!”)

de seu possível futuro, para tomar cuidado.

Em lugares abandonados, papoulas se entrelaçam   Com caminhões de gado parados, aguardando pela próxima oportunidade

Você se lembra de mim? Como nós costumávamos ser? Você acha que deveríamos ser mais próximos?

Ela ficou parada sob o limiar da porta, com o fantasma de um sorriso Assombrando seu rosto como a placa de um hotel barato.

Os olhos frios dela implorando aos homens dos mackintosh

Pelo ouro em suas bolsas ou pelas facas em suas costas Subindo corajosamente, um deles estendeu a mão

Ele disse, “Então eu era apenas uma criança, agora sou apenas um homem”

Você se lembra de mim? Como costumávamos ser? Você acha que deveríamos ser mais próximos?

Pelo frio e pela religião fomos levados pela mão Mostraram-nos como nos sentirmos bons e como nos sentirmos maus   Com a língua presa e assustados, nós aprendemos como rezar

Agora nossos sentimentos estão nas profundezas do frio da morte   Estendidos às nossas costas, bandeiras e estandartes dos nossos possíveis passados, caem em trapos e farrapos.

Você se lembra de mim? De como costumávamos ser? Você acha que deveríamos ser mais próximos?

ABRAÇOS PROGRESSIVOS E FLOYDIANOS!!!

TUPI

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From → Pink Floyd

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