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“David Gilmour 1” – 1978 – O Primeiro Álbum Solo De David Gilmour

23/03/2013

David Gilmour 1

Em 1978 David Gilmour lançou seu primeiro álbum solo, um ano antes de The Wall. Em 1977 o Pink Floyd gravara Animals. O álbum ficou entre os 30 primeiros tanto no Reino Unido como nos EUA. Gilmour é pura harmonia, e suas músicas são extremamente agradáveis. Com o Pink Floyd, Gilmour criou os riffs de Rock Progressivo mais conhecidos mundialmente, mas sem a agressividade da banda, seu primeiro álbum solo, “David Gilmour”, confirma o que é gritante nos trabalhos solo de Steve Howie ou de Steve Hackett: a necessidade de liberdade de expressão do guitarrista fora do contexto de banda. Obviamente, Gilmour não fez o álbum sozinho, mas pôde fazê-lo como queria. Por exemplo, nenhum álbum do Pink Floyd abre com uma música instrumental parecida com Mihalis. Nesta primeira faixa, Gilmour mostra acentuada preocupação com o acompanhamento, com o som quase cristalino da guitarra sobre uma base repetitiva – ideal para um solo de 5 minutos. Nem a batida de funk da base consegue se sobrepor ao clima de blues e New Age. A segunda faixa, “There’s No Way Out of Here” é o single do álbum – uma versão do original de 1975 da banda Unicorn, produzida por Gilmour. Dá pra sentir a influência de Animals nesta faixa – uso do vocoder, o toque de guitarra de Dogs – mas o riff é algo de assustador. Sem exageros, Gilmour toca aquelas notas altas e longas impraticáveis que ele arranca de seu set alien. Caraca! É de tirar o fôlego. A presença das backing vocals também é mortal. Quando elas começam a cantar você lembra do Pink Floyd na hora.

Não Há Como Sair Daqui (There’s No Way Out Of Here)  

Não há como sair daqui, quando você entra, entra por bem/ Não há respostas aqui, quando você olha não é o que vê/ Não há limites definidos, a marcação já era, você já atropelou/

Então ela desliza através de suas mãos, como grãos de areia, você a vê partir/ Não há tempo para estar perdido, você paga o preço, então aproveite/ Não há maneira como sair daqui, quando você entra, entra por bem/

E nunca houve lá uma resposta, uma resposta/ Não sem ouvir, sem ver/

Não há respostas aqui, quando olha para fora, não vê por dentro/ Não houve promessa feita, a parte que você jogou, a chance que você teve/ Não há como sair daqui, quando você entra, entra por bem/

A seguir vem Cry From The Street, cujo riff, invertido, vai aparecer mais tarde em The Wall, na faixa Young Lust. Veja a letra, achei interessante acrescentar a tradução pelas possíveis referências a Syd Barrett.

O Lamento Da Rua (Cry From The Street)

Sombras negras dançam / Além do brilho do neon / Há vozes em sua cabeça / E apenas um caminho muito estreito por onde ir/

Faz seu sangue correr gelar / O caminho é cego / Tente salvar sua alma/ Nem mesmo reze/ Apenas o lamento da rua/   Está bem se você abandonar/ Aquele que eles mantem em casa/ Então você ama alguém / Que pensou possuir/   você sabe que é um crime/ Mas o que você pode fazer? / Esse é o preço que você paga/ A cada volta do parafuso/ Mas não dê importância/   Apenas o lamento da rua/

você realmente ama a noite / Mesmo estando sozinho/ É a vergonha que chora/ Por estarem as coisas tão erradas/   É o sinal do grito/ Que cega seus passos / Acho que é nossa oportunidade/

você deseja ficar e dormir / Mas nem reza/ Apenas o lamento da rua  

david-gilmour

So Far Away parece abertura de álbum de Elton John, mas o desenvolvimento dessa balada nos levará a Comfortably Numb em The Wall. Ouça o solo de guitarra e observe o andamento da música. Outra coisa notável neste trabalho de Gilmour é o apego aos temas da ausência e abandono. São temas recorrentes no Pink Floyd, mas não nostrabalhos solo – pelo menos até agora.

Tão Distante (So Far Away)

O que estou pendurando aqui? / Deveria me iludir achando que não temo nada? / Eu não tenho escolha, só posso esperar/ Pode ser tarde demais/ Eu não sei o que está acontecendo / Ela está aqui, mas eu me fui, me fui/

Meu amor está aqui jaz / Ela está distante embora pareça tão perto / “Tempo ao tempo”, ela me diz/ E um casaco quente é só o que preciso / Sua paz de espírito, sua força de vontade / Virá, ela diz com certeza/ Mas como eu posso descansar sossegado?/ Sinto que estou chegando em segundo lugar/

E eu sou esfacelado por minha própria vida / Isto é um sonho ou é a vida real? / Oh, Dorme, vem logo para mim/ Não posso suportar este quarto solitário/

Veja aquele cabelo jogado ali/ O quarto é escuro, ela não demonstra medo/ Ainda estou deitado, de olhos arregalados/ Meu coração está bombeando, ainda estou vivo/ Ainda estou acordado contra minha vontade/ Que desejo será preciso para acabar com esse fogo ardendo em mim?/

David Gilmour 1

Short And Sweet também será reconhecida em várias passagens de The Wall. Aqui, porém, com um arranjo simples e despretencioso, pode passar despercebida. Mas preste atenção em como Gilmour faz a junção entre os acordes e a letra, construindo uma “melodia” de acordes que desaguam numa frase ao estilo dos Beatles, passa pelo crivo do The Who (Tommy) e retorna para a “melodia” de harmonias. Quando o gênio de Water estender seu poder criativo sobre esse arranjo, vai ser como jogar um fósforo aceso na pólvora.

Curto E Doce (Short And Sweet)

Você pergunta “O que é qualidade de vida?”/ Tentando justificar seu papel/ E se esconde, temendo que ele esteja incompleto/ para tentar faze-lo mais ou menos curto e doce/   Curto, entretanto, curto é o espaço entre nós/ Tão perto quanto tentamos fazer parecer/ Fomos pegos olhando a escuridão do céu/

Quem sabe?/ Impotente é o tempo para manter-se dia/   E você/ Você é uma fantasia,/ Uma visão / Daquilo que você acha que o mundo deveria considerar/

Seja real/ E encontrará/ Uns poucos/ Construido uma nova visão e justiça em nosso tempo./   E nós / Nós os homens imorais/ Nós ousamos / Nús e intrépidos/ E livres de atentar contra destino/ Cientes e mantendo o pesadelo da moral do lado de fora dos portões/

E doces, doces como o riacho descendo a montanha/ Nós olharemos / Em direção a um novo dia que nasce no leste/ E nos encontra / Como os sonhos que virão / Com um mínimo de qualidade, com certeza /

Em Raise My Rent David Gilmour dá um show de riffs e solos sobre solos com aquelas frases fantásticas que poderiam ficar se repetindo para sempre sobre um acorde de nona. Mais de cinco minutos e meio recheados de tudo o que Gilmour faz de melhor: tocar sua Fender. No Way é a prova de que nada até aqui aconteceu por acaso. Mais uma puta frase de guitarra se repetindo sobre si mesma, mais uma interpretação vocal fantástica de Gilmour, com suas backings, e dessa vez ele não perdoa: a guitarra fala. Essa é uma daquelas músicas que deixam a gente nervoso. Judia. De onde ele tira esses timbres?

De Jeito Nenhum (No Way)

Não tem jeito/ Vou deixar para trás/ Não tem jeito/ Pois é o meu show / Vou aguentar / Mais um pouco/ Não vou me entregar assim facilmente/ Esse não é meu estilo/   Estou todo amarrado/ Amarrado num nó / E não consigo decidir/ O que é que eu tenho / Saí do ar? / Errei o caminho?/ Eu não me esqueci/ Não, nem um unico dia/

Agora talvez voce possa acreditar/ Que não sou um homem feliz/ Me separando/ Do clã/ Que barco! no qual velejamos/ Nós tivemos uma semana ou duas/ Mas eu sei que soa como se fossemos/ Eu e você/

Então de jeito nenhum/ Eu vou deixar passar/ De jeito nenhum/ Pois é o meu show/ Eu ficarei por aqui/ Por um tempo/ Não cairei facilmente/ Esse não é meu estilo/

David Gilmour Show Pink Floyd

“It’s Deafinitely” recorda de imediato o álbum Profiles de Nick Mason. Até parece ter sido tirada do Profiles e enxertada no “David Gilmour”. É a única faixa fora de contexto no álbum. Não é ruim, mas é uma peça solta. O álbum termina com “I Can’t Breathe Anymore”, uma confirmação de sua necessidade de auto-afirmação longe das asas do Pink Floyd e provando a si mesmo que tinha capacidade e reputação para fazer sua própria carreira. O álbum ficou entre os Top 30 nas paradas e rendeu Ouro.

Não Consigo Mais Respirar (I Can’t Breathe Anymore)

Não consigo mais respirar / Do porquê não tenho certeza / Coloquei meus pés no chão / De fato estou descalço/ Perdi a direção!/ Eu deveria parar e me planejar/ É algo novo em mim/ Apenas sonhar que você está livre / É um conto sem fim / Mas o final está lá para todos verem/ E se o final não fosse tão real/

Vindo para mim em ondas novamente/ Suponho que é tudo sobre meu orgulho/ Quero estar lá na matança/ Mas com ou sem Deus ao meu lado/ Eu sei que lá estarei/

Faixas: Mihalis,There’s No Way Out of Here,Cry from the Street,So Far Away,Short and Sweet,Raise My Rent,No Way,It’s Deafinitely,I Can’t Breathe Anymore

Músicos: David Gilmour,Rick Wills,Willie Wilson,Mick Weaver,Carlena Williams,Debbie Doss

Conheça mais os músicos do álbum neste blog em: https://paintboxtalks.wordpress.com/2013/03/22/todos-os-musicos-do-primeiro-album-solo-de-david-gilmour-david-gilmour-1/

Abraços Progressivos!!!

Tupi

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From → Pink Floyd

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