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Unicorn: A Primeira Experiência De David Gilmour Como Produtor

18/04/2013

Blue Pine Trees

Em 1973 David Gilmour estava na festa de recepção do casamento de Rick Hopper, da Transatlantic, e gostou da banda que estava tocando, uma banda country, ou soft rock. Gostou tanto que subiu ao palco e tocou com eles a música Heart Of Gold, de Neil Young. A banda era o Unicorn. Gilmour acabou produzindo 3 álbuns da banda britânica: Blue Pine Trees, Too Many Crooks e One More Tomorrow. Talvez você não conheça o Unicorn, mas dá para ter uma idéia do que eles faziam pelo trabalho do Poco e dos Flying Burrito Bros, bandas posteriores ao Unicorn, mais famosas e seguiam o mesmo estilo musical. Bem, após aquele primeiro encontro, Gilmour convidou a banda para gravar umas demos em seu estúdio particular, que acabara de ficar pronto. Gravaram, inicialmente, três canções com Gilmour no Pedal Steel, e Gilmour ofereceu-se para financiar a gravação de um álbum de canções da banda Unicorn, a banda topou, e Rick Hopper – que mais tarde descobriria Kathy Bush – depois Kate Bush – tornou-se seu empresário. Gilmour produziu o álbum ‘Blue Pine Trees’ e partes do segundo álbum ‘Too Many Crooks’. Logo os contratos para distribuição do álbum nos EUA e no mundo todo já estavam assinados. Blue Pine Trees disparou nas FMs norte-americanas e a banda Unicorn estreou no  Whiskey a Go Go, na Sunset Strip, com Patti Smith abrindo o evento. Em sua primeira turnê (1974) o Unicorn atuou como banda de apoio para Fleetwood Mac, Manfred Mann’s Earth Band, Climax Blues Band, Billy Joel,Linda Ronstadt e The Doobie Brothers. Ao final da empreitada voltaram para Londres e tocaram no Marquee Club com The Sutherland Brothers e o Quiver com a participação de David Gilmour. Em 1975, saiu o segundo álbum ‘Too Many Crooks’, ou ‘Unicorn 2’ (EUA). É desse álbum que Gilmour tirou a canção que foi o single de seu primeiro álbum solo: “No Way Out of Here”. Sua versão dessa canção do Unicorn levou seu primeiro álbum solo para o topo das paradas por vários meses. Em sua versão, Gilmour reduziu um pouco o andamento da canção, definiu melhor o riff da música e os solos de guitarra – toque de gênio.

O embrião da banda formou-se em 1963, quando Pat Martin – parente distante de Eric Clapton – conheceu Ken Baker no colégio. Eles começaram a tocar guitarra juntos por brincadeira, eram fãs de Beatles e Hollies. O pai de Pat, Pat Martin, interessou-se pelo trabalho dos garotos e resolveu empresariar a banda. Cedeu equipamentos, a garagem para ensaios e encontrou os músicos que faltavam para a banda. Logo vieram as primeiras apresentações, e a banda fez cover até 1968, quando Ken começou a compor. A banda chamava-se The Late. Começaram a tocar como banda de apoio para Billy J. Kramer e a grana apareceu – pelo menos dava para pagar as contas. Após algum tempo, a Transatlantic se interessou pelo material da banda e foi lançado o primeiro álbum, “Uphill All The Way”, e o nome da banda passou a ser Unicorn. Suas principais influências foram: Byrds, Beatles, Crosby/Stills/Nash, The Band, James Jamerson. O LP “Uphill all The Way” foi lançado em 1971 e a Transatlantic colocou o Unicorn tocando na abertura do show no Festival Hall para a grande estréia do Lindisfarne’s em Londres. Houve uma turne britânica na qual foram banda de apoio para Stefan Grossman e acabaram participando do álbum seguinte dele: “Wow”. Também tocaram com o Quiver.

Em 1972 foram convidados para tocar 3 moites na Itália no Festival da Canção de Veneza, televisionado para toda a Europa. Foi a primeira vez que tocaram ao vivo e com orquestra. E acabaram fazendo uma pequena e acidentada turne pela Itália.  A seguir foram para a Suécia, mas o country rock não era muito apreciado por lá. Houve a oportunidade para uma turne de dez dias pelos Países Baixos e foram bem aceitos na Holanda, pois os holandeses curtiram seu country rock e por lá apresentaram-se em clubes, programas de rádio e um show na TV como banda de apoio para os Flying Burrito Brothers.

No início de 1973 a banda tocou na recepção de casamento de Ricky Hopper, um amigo dos dias da Transatlantic. Gilmour era um dos convidados e no final da noite subiu ao palco para tocar Neil Young’s “Heart of Gold” com a banda e Gilmour então confessou à banda que gostava de country rock. Uma semana depois David ligou para Pat e ofereceu à banda a oportunidade de gravar demos de suas músicas em seu estúdio particular, recém acabado, em seu retiro campestre. A banda topou e foi recebida por um Gilmour sorridente – foi na época do The Dark Side Of The Moon e o Pink Floyd estava colhendo os frutos – e Gilmour disse à banda que podiam deixar os instrumentos na van, ao mesmo tempo em que disponibilizou sua coleção de guitarras vintage Fender, Gibson, Rickenbacker e Martin. Além de Fender Amps e uma bateria Premier. Foram gravadas três canções e Dave adicionou algum Fender Pedal Steel Guitar, trazido de sua última turne americana. A banda acabou voltando várias vezes para fazer outras gravações. Então Gilmour disse que iria financiar a gravação de um álbum do Unicorn e que seu empresário – Steve O’Rourke – se encarregaria das vendas do álbum. A banda assinou com Steve’s EMKA Organisation e Ricky Hopper acompanhou a banda no seu dia-a-dia e como empresário nas turnês. Mais tarde, Ricky também descobriu Kate Bush, que na época chamava-se Kathy Bush. A gravação do álbum “Blue Pine Trees” e partes do segundo álbum americano – “Too Many Crooks” – foram gravadas no estúdio Olympic num clima de total descontração. O álbum foi mixado no George Martin’s Air Studio em Londres. Foram fechados contratos com a Charisma Records (UK), a Capitol (USA) e com a EMI para distribuição mundial, através do empresário do Pink Floyd, Steve O’Rourke, por conta disso haviam sido feitos adiantamentos de alto valor pelas vendas e a banda deveria fazer uma turnê pelos Estados Unidos. A primeira coisa a se fazer era comprar novos amplificadores Fender. Dois roaddies foram contratados nesse ponto.

Em novembro de 1974 a banda dirigiu para Heathrow, na chuva, em sua velha van. Nos Estados Unidos foram recebidos por dois executivos da Capitol Records, no Aeroporto Internacional de Los Angeles. Foram levados para o hotel Holiday Inn, de Hollywood, onde o agente de viagens da Capitol Records, Alan Fry, contou-lhes que “Blue Pine Trees” era o número Um nas FMs. Na primeira noite a Capitol enviou convites para o show de George Harrison, e apenas Pat foi ao evento, pois os outros membros da banda ainda estavam se adaptando ao novo ambiente, seja em termos fisiológicos como culturais. Foi a primeira (e desastrosa) vez que Pat teve contato com um frisbee. Havia uma grande multidão presente e quem abriu o show foi Ravi Shankar com uma orquestra de 40 músicos e quando George Harrison subiu ao palco Pat perdeu a voz após três canções. Na noite seguinte começou o trabalho e foram tocar no Whiskey a Go Go na Sunset Strip. Os executivos da Capitol Records estavam presentes e quem abriu para o Unicorn foi Patti Smith. Após duas noites no Whiskey A Go Go voaram para Salt Lake City e trabalharam em três shows como banda de apoio para o Fleetwood Mac. Foi a primeira vez que participaram de um grande evento e aprenderam muito sobre organização de grandes shows e turnês. A apresentação seguinte foi num estádio de futebol em Bozeman, Montana. Com um público aproximado de 20,000 pessoas o Unicorn fez a melhor apresentação ao vivo de sua carreira, até o pessoal do Fleetwood Mac ficou impressionado.

O Unicorn deixou a turne do Fletwood Mac para ir a St. Louis tocar com o Manfred Mann’s Earthband. Depois foi a vez da Climax Chicago Blues Band, em Warsaw, Wisconsin. O show foi no Stevens Point, aonde o Unicorn também abriu para o Camel, banda na qual Kevin tocou antes de ser agraciada pelo sucesso. A próxima fase seria a chave de tudo para o Unicorn que abriria para os Doobie Brothers. Mas turnê dos Doobies foi completamente desastrosa e teve de ser interrompida, deixando os rapazes do Unicorn na mão. Precisaram arranjar apresentações por conta própria para cobrir o rombo. Daí para frente tocaram em clubes de Milwaukee, Boulder, e no Colorado, até que atuaram como banda de apoio para Billy Joel em Washington D.C. A melhor parte da turne norte-americana foi quando abriram para Linda Ronstadt. Tocaram em Houston, Austin, Dallas e Lubbock. O Unicorn abriu para grandes nomes em muitas ocasiões, mas os melhores com quem tocaram foram Linda Ronstadt e sua banda. Eram os melhores músicos e cantores que o Unicorn já havia visto. O último show na américa foi em Wichita, Kansas, abrindo para o Styx. O Unicorn voltou a New York para tocar novamente no Marquee club com os Sutherland Brothers e o Quiver com Dave Gilmour no palco.

O ano seguinte, 1975, foi gasto para a gravação do segundo álbum “Too Many Crooks” (lançado na America como “Unicorn 2”).

Too Many Crooks - Unicorn

Neste álbum estão algumas das melhores performances em estúdio do Unicorn e algumas das melhores obras de Ken. O destaque foi para a canção “No Way Out of Here”, mais tarde regravada por Gilmour em seu primeiro álbum solo, e sua versão ficou por várias semanas nas paradas de sucesso norte-americanas.   Haviam menos apresentações ao vivo mas eram compensadas eventos em colégios e o Unicorn ainda abriu para o 10CC, Chapman Whitney, Linda Lewis. Na turnê pelo Reino Unido tocaram também com Dr Hook em 1975. Nos anos seguintes abriram para Nils Lofgren, Steeleye Span, Hawkwind, John Entwhistle’s Ox, Ronnie Lane’s Slim Chance, The Groundhogs e mais uma vez para o Dr. Hook. O último álbum, “One More Tomorrow”, foi um trabalho dividido em duas partes.

One More Tomorrow - Unicorn

Metade gravado no estúdio do Pink Floyd, o Britannia Row em Islington e produzido por Gilmour, e a outra parte foi feita no Estúdio Island em Basing Street, Notting Hill e produzido por Muff Winwood, com o objetivo de se chegar a um resultado mais comercial.   Na metade de 1977 estava tudo acabado. O Unicorn não podia competir com o cenário do punk rock. Apenas as maiores bandas de country e soft rock conseguiram sobreviver. O tipo de música que o Unicorn fazia ficara obsoleto. A última apresentação foi na Music Machine na cidade de Camden. Com a casa praticamente vazia, o show foi curto.

Fontes: http://www.neptunepinkfloyd.co.uk/index.php/news/554-lost-david-gilmour-produced-unicorn-albums-see-the-light e http://www.itsaboutmusic.com/unicorn.html – grande parte do texto foi traduzido e condensado deste último site.

Abraços Progresssivos!!!

Tupi

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