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A Cidade Do Sol – A utopia de Tommaso Campanella

17/06/2013

A Cidade Do Sol - Tommaso Campanella

O filósofo e teólogo italiano Giovanni Domenico Campanella nasceu em 1568, na Calábria, e faleceu em Paris, em 1639, após ter passado quase metade de sua vida na prisão, sob acusações de heresia e sodomia. Sua obra-prima, A Cidade Do Sol, escrita no cárcere, é mundialmente conhecida e está ao lado da República, de Platão, e Utopia, de Thomas More, é uma obra-prima da literatura universal. Nela acompanhamos o diálogo entre o Grão-Mestre dos Hospitalários, e um Almirante Genovês que lhe conta sobre uma cidade que conheceu em suas viagens, A Cidade Do Sol. A cidade é regida por Hoh, o sacerdote Metafísico, que tem poder absoluto, e é assistido por três chefes: Pon (Potência), Sin (Sapiência), e Mor (Amor). Situa-se sobre uma montanha e é protegida por muros circulares que criam sete níveis de acesso, à medida que adentramos a cidade. Pela ousadia da obra, para a época, a Renascença, dá para entender porque Tomaso passou a maior parte do tempo de sua vida preso ou fugindo. N’A Cidade do Sol, a reprodução é regulada por Mor, de modo que a geração está voltada para a melhoria da raça, ou seja, seleção genética! Tommaso considerava um absurdo nos preocuparmos com a melhoria das raças de cavalos e outros animais domésticos, quando deveríamos nos preocupar com a melhoria de nossa prole! E ele vai além quando submete a educação das crianças ao governo, anulando, assim, o conceito de família – não existe o conceito “família” n’A Cidade Do Sol. A propriedade privada também não existe, tudo é propriedade coletiva regulada pelo Governo, inclusive as mulheres. A música só pode ser exercida pelas mulheres e crianças à semelhança da República de Platão, em que o Estado determinava que tipo de música poderia ser executada. Por outro lado, uma preocupação surpreendente que Campanella incluiu em seu livro, foi com a alimentação: médicos definem qual a melhor dieta para os habitantes, de acordo com suas necessidades, salientando, ou antecipando, o papel dos atuais nutricionistas. Mulheres acima dos 19 e homens acima dos 21 poderiam dedicar-se à geração e a formação de pares segue mais ou menos os critérios do Kama Sutra. Para ajudar na escolha dos pares, homens e mulheres praticam ginástica juntos e nús. Por exemplo, homens gordos ficariam com as magras, os altos com as baixinhas, tudo para gerar um perfil equilibrado nos nascituros. Mulheres estéreis e grávidas, e matronas, poderiam dedicar-se com mais liberdade ao sexo, tudo com autorização dos magistrados e atendendo a pedidos de homens mais desejosos do ato carnal, que poderiam manifestar-se em segrêdo ou publicamente, em Assembléias.  “Se uma mulher não é fecundada pelo homem que lhe é destinado, é confiada a outros.” Se a mulher é estéril, fica em segundo plano, e “lhe é negada a honra de sentar-se entre as matronas na assembléia de geração, no templo e à mesa.” Ouro e prata são apenas matérias-primas sem valor, enquanto “a geração é considerada obra religiosa, tendo por fim o bem da república e não dos particulares.” Uniões amorosas entre casais apaixonados são permitidas apenas quando a mulher já se encontra grávida de outro ou quando é estéril: nesse caso, na formação dos pares o amor e a paixão de nada valem n’A Cidade Do Sol. Os habitantes nada possuem, mas nada lhes falta, e são obedecidos por aquilo a que servem. O próprio Campanella afirma, em seu texto, que a comunidade das mulheres, para o leito, é a heresia dos nicolaitas, condenada por Santo Agostinho, mas a linha de pensamento dos habitantes solares, é socrática e platônica, incluindo-se aí, também o pensamento de Catão e São Clemente. Do inicio ao fim de suas vidas, os cidadãos solares prestam serviços à comunidade: os velhos dão conselhos, os cegos usam seus ouvidos e ninguém é inútil para nada. “O trabalho não pode ser nocivo à pessoa”, e é essa a regra para a distribuição das atividades. Ninguém se recusa aos trabalhos mais pesados, e o líder é aquele que já passou por todos os níveis de trabalho, do mais braçal ao mais intelectual. Em seus sacrifícios e preces, os solares também oferecem sacrifícios humanos, nos quais as vítimas se oferecem voluntariamente para que seja alcançada graça aos olhos de Deus. “Dizem que reina grande obscuridade a respeito da origem do mundo, não se sabendo se foi feito do nada ou das ruínas de outros mundos ou do caos, mas julgam verossímil, e mesmo certo que tenha sido feito e não seja eterno…”, opinião surpreendente, para a época, sobre temas que hoje são amplamente debatidos sem que se chegue a um acordo. A narrativa do Almirante termina com a afirmação de que os solares “edificam o sistema do livre arbítrio” numa comunidade cujos navios não se movem por velas nem remos, mas por rodas que giram dentro da água. O próprio Campanella faz uma crítica à sua obra, classificando-a como utópica e analisando suas falhas à luz do pensamento dos filósofos gregos. Isso prova que Tommaso de Campanella era apenas um livre-pensador que sonhava, ao contrário de muitos falsos líderes que tentaram impôr à humanidade suas utopias ao custo de milhões de vidas perdidas no decorrer da história.

Bibliografia: A Cidade Do Sol, de Tommaso de Campanella, Editora Martin Claret, 2005.

Clique mais um livro interessante em: https://paintboxtalks.wordpress.com/2013/06/26/ilusoes-richard-bach-e-seu-messias-relutante/

Veja também: https://paintboxtalks.wordpress.com/2014/07/24/a-utopia-de-tomas-morus-resumo/

Abraços Progressivos!!!

Tupi

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  1. A Utopia De Tomás Morus Resumo | paintboxtalks

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