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Pink Floyd – THE ENDLESS RIVER

11/05/2020

PINK ENDLESSOK

The Endless River, do Pink Floyd, chegou às lojas em novembro de 2014 e vendeu, naquele ano, aproximadamente 2,5 milhões de cópias, batendo recorde de pré-venda no Amazon.
O álbum é um tributo a Richard Wright, tecladista da banda e um dos fundadores, falecido em 2008.
No unpacking do CD já é possível intuir que trata-se de uma despedida: ao remover a reluzente e delicada película plástica da embalagem a capa torna-se melancólica, opaca e sem brilho. Um homem que rema no oceano de nuvens para um horizonte distante. Para o desconhecido. A contracapa tem um significado ainda mais profundo, pois a canoa está vazia, mas os remos continuam seu movimento indicando que o remador agora está invisível. O booklet do CD é impecável, de extremo bom gosto e muito funcional; contém várias fotos de Wright, Gilmour e Mason, e de instrumentos náuticos que fazem, certamente, referência ao Astoria, o estúdio-barco de Gilmour. As informações técnicas também estão lá e o manuseio do CD é muito fácil na hora de retirar e devolver na capa. Endless River – O Rio Sem Fim – é o 15º álbum de estúdio do Pink Floyd, e também o derradeiro.
Para os fãs do Pink floyd, Endless River é o fim de um ciclo, e é tudo o que se podia esperar no final: o começo. É como estar presente num ensaio da banda e entender seu processo criativo vendo tudo pelo ângulo dos teclados de Richard Wright. Não que Gilmour e Mason não estejam também participando do processo criativo, eles estão, mas ao mesmo tempo abrem uma janela para que possamos conhecer melhor o trabalho e a grande contribuição de Richard Wright para o Pink Floyd e para o rock progressivo. É possível entender melhor a dinâmica da banda e preencher alguns vazios estéticos que, para mim, eram verdadeiros buracos entre uma fase e outra do Pink Floyd ( estou me referindo às três mudanças na liderança da banda: Barrett, Waters e Gilmour ).
Porém, se você vai ouvir Pink Floyd começando por Endless River, aconselho uma visita ao site oficial do Pink Floyd. Lá é possível ouvir trechos de todas as músicas do Floyd, por álbum, em ordem cronológica. Digo isso por que é importante ter uma idéia do todo, pois cada álbum do Pink Floyd é uma obra peculiar. Não há dois álbuns semelhantes, e a audição de Endless River pode dar a impressão de que o Pink Floyd fazia música ambiente. Nada disso.
No início a música do Floyd era rotulada como rock psicodélico, foi música experimental, depois mudou para rock progressivo, teve uma fase pop e consagrou-se como Rock Progressivo. Mas, nesse caso – The Endless River – havia sim a tendência de se criar um álbum de ambient music. Isso é contado por Nick Mason em seu livro “Inside Out”. No capítulo 12 “Mais sábio após o evento” ele narra que “POR ACASO ACABAMOS COM TANTO MATERIAL EXCEDENTE QUE CONSIDERAMOS A POSSIBILIDADE DE LANÇÁ-LO COMO UM SEGUNDO ÁLBUM INCLUINDO UM CONJUNTO DE CANÇÕES QUE DENOMINAMOS “The Big Spliff” O TIPO DE MÚSICA AMBIENTAL QUE NOS DEIXAVA ENCANTADOS E ACABAVA DE SER ADOTADO POR BANDAS COMO ORB”. The Endless River é apenas uma fração desse material.

FAIXAS

O álbum foi dividido em 4 partes com faixas de aproximadamente 3 minutos.
O Lado Um começa com THINGS LEFT UNSAID – Coisas Que Ficaram Por Dizer – de Gilmour e Wright. No início dessa faixa há três frases ditas por Wright, Gilmour e Mason:
“Nós certamente temos um acordo não verbal. E muitas coisas não ditas também.”
“Nós gritamos, argumentamos e brigamos, e chegamos a um resultado.”
“A soma é maior que as partes.”
A forma, a estética que põe um ponto final nesse “diálogo” me leva diretamente ao álbum Dark Side. Uma das características mais legais do Pink Floyd é o incidental na arte. Conversas, sons inesperados. Vozes. Isso está presente em Atom Heart Mother, Dark Side, The Wall, More, Ummagumma e outros. Nessa primeira faixa, as vozes e o ebow de Gilmour fazem referência ao incidental e depois transformam isso numa nuvem de reverbs e notas de agonia da guitarra que faz a ponte para
IT’S WHAT WE DO (É isso que fazemos). Nick Mason entra com um daqueles seus famosos ataques de bateria e a cena fica completa. Toda a dinâmica do Pink Floyd emerge como num passe de mágica. Wright recria todo o clima de teclados de Obscured by Clouds, Gilmour toca seus famosos bends e Mason faz aquela mágica de conduzir o andamento da música mudando a velocidade de suas batidas sem nenhuma quebra brusca no ritmo.
EBB AND FLOW, a última faixa do lado Um é uma longa frase de guitarra com ebow harmonizada por Wright e finalizada pelo vento.

O Lado Dois

SUM tem um set instrumental completo, mais uma faixa cujo ataque inicial remete ao passado. Astronomy Domine, Set the Controls, Pompei, Echoes, One of These Days, The Wall, tudo isso condensado em 3 minutos e 35 segundos. A recapitulação fica confirmada em
SKINS, a faixa seguinte, com toneladas de slide guitar, como Barrett gostava. Mais uma vez somos levados a Pompeii e Ummagumma.
UNSUNG apenas teclado e guitarra, é uma transição tensa para a apoteótica
ANISINA que encerra o lado dois. Essa faixa tem tudo daquilo que o Gilmour gosta de fazer. Guitarras dobradas, harmonia redondinha, nada solto. Bonita mesmo. Típica da fase Gilmour, com o Wright bem à vontade.

Lado Três

Uma completa viagem. Para quem não tem muita noção de música cabe explicar que THE LOST ART OF CONVERSATION (A Arte Perdida da Conversação) tem alguns elementos de harmonia, melodia, blue notes e ritmo que Wright praticamente está nos mostrando pela primeira vez. Isso progride para o fusion ON NOODLE STREET – outra surpresa musical. Se a idéia fosse de Mason, não seria surpresa, mas parece que estamos ouvindo algumas facetas ocultas do tecladista. Se a banda fosse o Jethro Tull ou Procol Harum, não seria surpreendente.
NIGHT LIGHT é uma ambientação que vai suavemente para ALLONS-Y 1, – aqui fica um vazio, falta o peso do baixo de Waters. ALLONS-Y 1 introduz a única faixa do CD que é mais antiga, AUTUMN’68 faz referência a SUMMER’68, que está no álbum da vaquinha, o Atom Heart Mother. ALONS-Y 2 precede a inusitada TALKIN’ HALKIN’, um tapete musical com elementos de jazz e fusion de extremo bom gosto para a fala de Stephen Hawkin, um momento arrepiante.

TALKIN’ HAWKIN’

O Discuro De Hawkin

“A Linguagem permitiu a comunicação de idéias, habilitando os seres humanos a trabalharem juntos, para construir o impossível.

As maiores realizações da humanidade foram viabilizadas através do diálogo.
Nossas maiores esperanças poderiam tornar-se realidade no futuro.

Com a tecnologia que temos à nossa disposição
as possibilidades são infinitas.
Tudo o que precisamos fazer é verificar que continuemos falando.”

Lado Quatro

CALLING é um experimento com ruídos e sons incidentais de instrumentos. Após o primeiro minuto e meio surge a primeira frase de teclado que vai se repetir até o final da faixa acompanhada dos slides limpinhos do Gilmour (que saudade do Syd). Meio dramática essa faixa.
EYES TO PEARLS é só uma frase de guitarra quase clean que se repete várias vezes como numa harmonia de Tito e Tarântula ( aliás, After Dark, do Tito é muito boa, confira ).
SURFACING continua a idéia anterior e o CD todo vai se condensando em andamentos mais rápidos, arranjos mais encorpados. A perfeição técnica e na produção chegam com a última faixa do CD
LOUDER THAN WORDS, Mais Alto Do Que As Palavras, retorna ao início do CD – como na maioria dos álbuns do Floyd. Esta faixa contém a idéia expressa nas frases pronunciadas em THINGS LEFT UNSAID. É o tipo de canção que Gilmour adora cantar e que permeou sua obra solo e a terceira fase do Pink Floyd sob sua batuta. A letra foi composta por ele e sua esposa Polly Samson.

Finalmente

Quem comprou o CD básico, que é o que eu tenho e sobre o qual fiz este post, tem tudo o que precisa para curtir essa obra-prima. Porém pretendo adquirir o pacote deluxe edition com o DVD e também tem o LP. O material extra não faz muita diferença, mas acrescenta bastante para quem é fã e colecionador. E, afinal, ENDLESS RIVER marca o fim de uma era.
O título ENDLESS RIVER veio da letra de HIGH HOPES e se conecta com a lendária SEE EMILY PLAY, de Syd Barrett, lançada como single em 1967.
Um pouco mais de 52 minutos de música. Quase 50 anos de banda.

Abraços

Tupi

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